O C6 Carbon Mastercard Black é o cartão premium do C6 Bank para quem gasta alto no crédito ou mantém patrimônio investido no banco. Custa R$ 98 por mês, R$ 1.176 por ano, e só fica isento com R$ 8.000 de gasto mensal ou investimentos relevantes no próprio C6. Em troca, entrega pontos Átomos que não expiram e são transferidos 1:1 para Smiles, LATAM Pass, TudoAzul, TAP e Livelo. Nosso veredito: excelente para o viajante de alto gasto que paga a fatura integral, caro demais para todo o resto.
O que é este cartão
O C6 Carbon Mastercard Black é a porta de entrada do C6 Bank no segmento de alta renda. A bandeira é Mastercard e a categoria é Black, o topo da régua da bandeira no Brasil, acima de Platinum e Gold — o que traz benefícios de rede como o concierge 24 horas e o Mastercard Travel Rewards.
O posicionamento é claro e um pouco incomum no mercado brasileiro: em vez de disputar o cliente pela renda declarada, o C6 disputa pelo dinheiro que ele deixa aplicado no banco. A pontuação base é de 2,5 pontos Átomos por dólar gasto e sobe conforme o patrimônio investido. São 2,7 pontos por dólar para quem tem entre R$ 250 mil e R$ 500 mil em renda fixa emitida pelo próprio C6 Bank (CDB, LCI, LCA, LF e Compromissada), 3 pontos por dólar entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, e 3,5 pontos por dólar acima de R$ 1 milhão investido. A faixa de 2,7 pontos também pode ser destravada por quem faz pagamentos elegíveis a partir de R$ 4 mil por mês, sem precisar investir nada.
Na prática, é um cartão de acumulação de milhas com estrutura de conta de investimento acoplada. Quem quer apenas um cartão premium para o dia a dia paga caro por benefícios que não vai extrair. Quem já é cliente do C6, viaja com frequência e concentra o gasto no cartão encontra aqui uma das estruturas de pontos mais competitivas do país — desde que consiga a isenção da anuidade, que é o obstáculo principal.
Anuidade e custos reais
A anuidade é o ponto que separa este cartão de quase todo mundo. São R$ 98 cobrados todo mês na fatura, o que fecha em R$ 1.176 por ano. Não é uma taxa simbólica: é o valor de uma passagem doméstica ida e volta, pago antes de qualquer benefício.
O C6 Bank oferece três caminhos para zerar essa cobrança, e basta cumprir um deles. O primeiro é gastar a partir de R$ 8 mil por mês na fatura, somando titular e adicionais. O segundo é manter R$ 50 mil em títulos de renda fixa emitidos pelo próprio C6 Bank (CDB, LCI, LCA, LF e Compromissada). O terceiro é ter R$ 1 milhão investido em qualquer produto disponível no aplicativo, no Brasil ou no exterior. Fora dessas três hipóteses, a anuidade de R$ 98 mensais é cobrada normalmente.
Vale colocar esses números em perspectiva. Quem cumpre o critério de gasto está passando R$ 96 mil por ano no cartão: a anuidade cheia equivaleria a 1,22% desse volume — mas, nesse cenário, ela não é cobrada. Já quem não atinge nenhum dos critérios precisa que os benefícios paguem R$ 1.176. Usando a conversão de pontos em dinheiro, que a ficha do emissor descreve como até 1,7% de cashback ao converter os Átomos para a conta, seria preciso gastar cerca de R$ 69.200 por ano — aproximadamente R$ 5.765 por mês — só para empatar com a anuidade. Ou seja: quem gasta menos de R$ 5.700 mensais e não tem patrimônio no banco tende a sair no prejuízo.
No exterior há um custo extra que costuma passar despercebido: IOF de 3,5% sobre compras internacionais, somado ao spread cambial da Mastercard. Não é uma cobrança específica deste cartão, mas entra na conta de quem escolhe um produto premium justamente para viajar.
| Custo | Valor |
|---|---|
| Anuidade mensal | R$ 98 |
| Anuidade anual | R$ 1.176 (12 x R$ 98) |
| Isenção da anuidade | R$ 8 mil/mês em gastos, ou R$ 50 mil em renda fixa do C6, ou R$ 1 milhão investido |
| Juros do rotativo | 16,49% ao mês / 524,38% ao ano |
| Juros do parcelamento da fatura | 5,54% ao mês / 91,01% ao ano |
| CET (Custo Efetivo Total) do rotativo | Não publicado pelo emissor |
| IOF em operações de crédito | 0,38% fixo sobre o valor + 0,0082% ao dia |
| Compras internacionais | IOF de 3,5% + spread cambial da Mastercard |
| Saque com o cartão de crédito | Não informado na ficha — conferir a tabela de tarifas oficial |
| Encargos por atraso na fatura | Não informados na ficha — conferir a tabela de tarifas oficial |
| Segunda via do cartão | Não informada na ficha — conferir a tabela de tarifas oficial |
| Cartão virtual | Disponível |
Juros do rotativo, parcelamento e CET
O rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro, e não é por pouco. Quando você paga menos que o total da fatura, o saldo restante entra automaticamente no rotativo e passa a render juros para o banco. No C6 Carbon, a taxa informada é de 16,49% ao mês, o que equivale a 524,38% ao ano em juros compostos — a conta é ((1 + 0,1649)12 - 1) x 100, e ela confere.
Um exemplo concreto ajuda. Imagine R$ 3.000 deixados no rotativo por 30 dias. Só de juros são R$ 494,70. Some o IOF: 0,38% fixo sobre o valor, R$ 11,40, mais 0,0082% ao dia durante 30 dias, outros R$ 7,38. O mês fecha em cerca de R$ 513,50 de encargos sobre uma dívida de R$ 3.000. Isso é mais de 40% do valor de uma anuidade anual inteira, queimado em quatro semanas.
Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 limita os encargos do rotativo ao valor original da dívida. No exemplo acima, os R$ 3.000 não podem gerar mais de R$ 3.000 em juros e encargos: o teto total é de R$ 6.000. É uma proteção real, mas ela limita o quanto a dívida cresce, não a taxa mensal anunciada — e, a 16,49% ao mês, esse teto é atingido em pouco mais de seis meses.
O parcelamento da fatura é bem mais barato, ainda que longe de barato: 5,54% ao mês, ou 91,01% ao ano. Parcelando os mesmos R$ 3.000 em 12 vezes, cada parcela sai por cerca de R$ 348,86 e o total pago chega a aproximadamente R$ 4.186 — quase R$ 1.190 de juros, sem contar IOF e tarifas. Se você já caiu no rotativo, migrar para o parcelamento é quase sempre a decisão certa; melhor ainda é não precisar de nenhum dos dois.
Uma ressalva de transparência: o C6 Bank não publica o CET (Custo Efetivo Total) anual do rotativo em sua página comercial. O CET é o número que reúne juros, IOF, tarifas e seguros em uma taxa única — é ele que mostra o custo verdadeiro. O Banco Central exige essa informação no contrato e na fatura do titular, não no site de vendas. As taxas também variam conforme o perfil de crédito e podem mudar mensalmente, então confira na sua própria fatura o CET e a taxa aplicados ao seu contrato antes de usar crédito rotativo.
Benefícios principais
O centro do produto é o programa C6 Átomos. Cada dólar gasto rende de 2,5 a 3,5 pontos, conforme a faixa de investimento descrita acima, e os pontos não expiram enquanto o cartão estiver ativo — uma diferença relevante frente a programas que caducam em 24 ou 36 meses e obrigam o cliente a resgatar às pressas.
A transferência é o que dá valor a esses pontos: os Átomos vão na razão 1:1 para Smiles, LATAM Pass, TudoAzul, TAP e Livelo. Ter as três principais companhias brasileiras, a TAP e a Livelo no mesmo leque significa flexibilidade real para caçar promoções e aproveitar bônus de transferência. Para quem prefere simplicidade, os pontos também podem virar dinheiro na conta, com o que a ficha do emissor descreve como até 1,7% de cashback — uma saída conveniente, mas quase sempre menos vantajosa do que converter em passagens.
Nas salas VIP, o cartão dá 4 acessos gratuitos por ano nas redes DragonPass, Espaço C6 Bank e W Premium. É o ponto em que o produto fica atrás de concorrentes Black diretos: quatro entradas por ano cobrem uma viagem internacional de ida e volta com uma conexão, e pouco mais. O acesso ilimitado existe, mas exige R$ 1 milhão investido ou faturas acima de R$ 20 mil por três meses seguidos — patamares que excluem a maior parte de quem carrega um Black.
A proteção de viagem é a esperada da categoria: seguro de viagem internacional, cobertura de despesas médicas e hospitalares no exterior, translado médico e funerário, concierge 24 horas da Mastercard Black e o Mastercard Travel Rewards. Como em qualquer seguro de cartão, os limites, prazos e exclusões estão no bilhete e precisam ser lidos antes da viagem — não presuma cobertura.
No uso cotidiano, o cartão traz aproximação por contactless, cartão virtual e compatibilidade com Apple Pay e Google Pay. A ficha do emissor não detalha condições de pagamento de fatura via Pix nem de Pix parcelado no crédito; se isso for importante para você, confirme diretamente no aplicativo ou no site oficial do C6 Bank.
Requisitos para pedir
Aqui é preciso ser direto sobre o que não se sabe. O C6 Bank não publica renda mínima oficial para o C6 Carbon Mastercard Black. Qualquer número que circule por aí não vem do emissor. A aprovação depende da análise de crédito do banco, que pesa score, histórico no SPC e no Serasa, relacionamento com a instituição e comprovação de renda. O mesmo vale para o limite: o emissor não divulga valores mínimos ou máximos, que são definidos caso a caso.
O que está publicado é a idade mínima de 18 anos. Também é público que os critérios de isenção da anuidade giram em torno de produtos do próprio C6 Bank — faturas, renda fixa emitida pelo banco e investimentos no aplicativo —, o que na prática torna o relacionamento com a instituição parte do jogo. As condições exatas de contratação, os documentos exigidos e o prazo de carência de juros da fatura não constam da ficha e devem ser conferidos no site oficial do emissor.
| Requisito | O que o emissor informa |
|---|---|
| Idade mínima | 18 anos |
| Renda mínima | O C6 Bank não publica valor; a aprovação depende da análise de crédito |
| Análise de crédito | Score, histórico no SPC/Serasa, relacionamento com o banco e comprovação de renda |
| Limite de crédito | Não publicado (mínimo e máximo definidos caso a caso) |
| Prazo de carência de juros da fatura | Não publicado pelo emissor |
| Relacionamento com o banco | Os critérios de isenção envolvem faturas e investimentos no próprio C6 Bank |
| Documentação | Não detalhada na ficha — conferir no site oficial |
Pontos fortes e fracos
O que este cartão faz bem:
- Pontos que não expiram. Enquanto o cartão estiver ativo, os Átomos ficam acumulados. Isso permite juntar por dois ou três anos até fechar um resgate que valha a pena, sem a pressão do relógio.
- Transferência 1:1 para cinco parceiros. Smiles, LATAM Pass, TudoAzul, TAP e Livelo cobrem praticamente todo o mercado brasileiro de milhas. A flexibilidade vale mais do que meio ponto a mais por dólar em um programa fechado.
- Escada de pontuação por investimento. Chegar a 3,5 pontos por dólar é competitivo. E a faixa de 2,7 pontos aberta a quem faz pagamentos elegíveis de R$ 4 mil por mês é um caminho sem exigir patrimônio.
- Pacote de viagem completo. Seguro internacional, despesas médicas, translado e concierge 24 horas estão todos incluídos.
O que este cartão faz mal:
- Anuidade alta com isenção difícil. R$ 1.176 por ano, e as três portas de saída são exigentes: R$ 8 mil de gasto mensal, R$ 50 mil em renda fixa do próprio banco ou R$ 1 milhão investido.
- Pontuação base modesta. Os 2,5 pontos por dólar da faixa inicial ficam abaixo de concorrentes premium diretos. Sem investir no C6, você paga preço de Black e pontua abaixo do topo do mercado.
- Salas VIP racionadas. Quatro acessos por ano é pouco para um cartão desta categoria, e o ilimitado está atrás de barreiras altas.
- Falta de transparência nas taxas. O emissor não publica o CET do rotativo nem a renda mínima. Tarifa de saque, encargos de atraso e segunda via também não aparecem na ficha comercial.
- Rotativo caro. A 16,49% ao mês, um único deslize apaga o ganho em pontos de vários meses.
Para quem vale a pena (e para quem não)
Vale a pena: o casal que gasta R$ 9.000 por mês e viaja duas vezes ao ano. Com esse volume, a anuidade some pelo critério de gasto e o cartão passa a custar zero. Somando titular e adicionais, o casal acumula Átomos em ritmo constante, transfere 1:1 para Smiles ou LATAM Pass e usa o seguro internacional nas viagens. Aqui o cartão entrega exatamente o que promete — desde que a fatura seja paga integralmente todo mês.
Vale a pena: o cliente C6 com R$ 600 mil em renda fixa do banco. Esse perfil já cumpre com folga o critério de R$ 50 mil em renda fixa e tem anuidade zero, além de pontuar 3 pontos por dólar. Como o dinheiro já estaria aplicado de qualquer forma, o cartão vira um benefício adicional sobre um investimento que existiria de todo jeito. É o cenário em que a proposta do C6 faz mais sentido econômico.
Não vale a pena: quem gasta R$ 3.500 por mês e quer o cartão pelo status. São R$ 42 mil por ano no cartão, longe dos R$ 96 mil necessários para a isenção por gasto. A anuidade de R$ 1.176 representa 2,8% de tudo o que essa pessoa passa no cartão em um ano — e a conversão de pontos em dinheiro, a até 1,7%, não cobre essa conta. Um cartão sem anuidade com cashback simples entrega mais dinheiro no bolso.
Não vale a pena, em nenhuma hipótese: quem carrega saldo no rotativo. Não importa o volume de gasto. Um mês de R$ 3.000 no rotativo custa R$ 494,70 em juros mais IOF. Nenhum programa de pontos do mercado brasileiro compensa 16,49% ao mês. Quem parcela a fatura com frequência deve procurar um cartão básico sem anuidade e usar o dinheiro economizado para quitar a dívida.
Como pedir
A solicitação é feita pelos canais do próprio C6 Bank, na página oficial do produto: c6bank.com.br — C6 Carbon Mastercard Black. O pedido passa por análise de crédito, e a aprovação não é garantida: o banco avalia score, histórico de pagamentos, restrições no SPC e no Serasa, comprovação de renda e o relacionamento que você já tem com a instituição.
Antes de pedir, faça três verificações que evitam arrependimento. Primeira: confirme, no site oficial, se as condições de isenção continuam sendo as descritas aqui, porque critérios de anuidade mudam com frequência. Segunda: confira na tabela de tarifas oficial do C6 Bank os custos que não aparecem na página comercial, como saque com o cartão de crédito, encargos por atraso e emissão de segunda via. Terceira: peça o CET aplicado ao seu contrato e a taxa de rotativo do seu perfil, já que os valores variam por cliente e podem ser alterados mensalmente.
Faça também uma conta honesta antes de assinar: quanto você realmente passa no cartão por mês, hoje. Se o número não chega perto de R$ 8 mil e você não pretende manter R$ 50 mil em renda fixa do C6, a anuidade será cobrada, e ela precisa ser paga com benefício real, não com a sensação de ter um cartão preto na carteira.
Conclusão editorial
O C6 Carbon Mastercard Black é um bom cartão dentro de um recorte estreito. Ele foi desenhado para o cliente que já tem dinheiro no C6 Bank ou que passa volumes altos no crédito — e, para esse público, entrega uma das melhores combinações de acumulação e transferência de pontos do Brasil, com o benefício raro de pontos que não expiram e um leque de cinco parceiros aéreos na razão 1:1.
Fora desse recorte, o produto cobra caro por benefícios que o titular não consegue extrair. A pontuação base de 2,5 pontos por dólar não lidera o mercado, quatro acessos anuais a salas VIP são pouco para a categoria, e a anuidade de R$ 1.176 exige um nível de gasto ou de patrimônio que boa parte dos interessados não tem. Soma-se a isso a falta de transparência do emissor sobre o CET do rotativo e a renda mínima, o que obriga o consumidor a ir atrás de informação que deveria estar na vitrine.
Na nossa avaliação, o cartão recebe 4,7 de 5 — nota que reflete a qualidade do programa de pontos, não a facilidade de aproveitá-lo. Peça se você se encaixa nos critérios de isenção e paga a fatura integral todos os meses. Se não, há opções melhores e mais baratas.
Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.