O Cartão CAIXA Elo Nanquim é o Black da Caixa Econômica Federal, feito para o correntista que quer um cartão premium sem pagar anuidade de quatro dígitos. São R$ 828 por ano, em 12 parcelas de R$ 69, e a CAIXA devolve 100% dessa parcela na fatura de quem gasta R$ 8.000 no mês — ou metade dela a partir de R$ 4.000. Nosso veredito: é um dos Black mais fáceis de zerar do mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, um dos mais modestos no que entrega em salas VIP e em pontos.

O que é este cartão

O Nanquim é o cartão de crédito de topo da Caixa Econômica Federal, emitido na bandeira Elo e classificado na categoria Black — o mesmo degrau que um Infinite ocupa na Visa ou um Black ocupa na Mastercard. A Elo é uma bandeira brasileira, e este é o produto mais alto da linha.

O posicionamento é diferente do resto do segmento premium. Em vez de disputar com anuidades de quatro dígitos e prometer sala VIP ilimitada, a CAIXA cobra R$ 828 por ano e monta a proposta em torno de uma ideia só: devolver a própria anuidade a quem usa o cartão. É um Black de entrada, e isso é escolha de produto, não defeito. A oferta se apoia em três pernas: o cashback da anuidade, que devolve até 100% da parcela mensal conforme o gasto do mês; o Programa Pontos CAIXA, com acúmulo por dólar; e a plataforma Elo FLEX, com 11 benefícios, dos quais até 5 podem ficar ativos ao mesmo tempo — e o número que importa é o segundo, não o primeiro.

Duas ressalvas valem para toda esta análise. A CAIXA não publica renda mínima para o Nanquim, nem o limite máximo de crédito, nem o prazo entre a compra e o vencimento da fatura. E não publica as taxas de juros do rotativo e do parcelamento: a página oficial diz que o CET, o prazo máximo e a taxa de juros aparecem na simulação, antes da contratação. O preço do crédito é personalizado por análise de risco.

Anuidade e custos reais

A anuidade do Nanquim é de R$ 828 por ano, cobrada em 12 parcelas mensais de R$ 69. Não há desconto de entrada: o primeiro ano custa exatamente o mesmo que os seguintes. A cobrança só começa depois do desbloqueio do cartão, detalhe que evita pagar por um plástico parado na gaveta.

O caminho para não pagar essa conta é o cashback da anuidade, e ele funciona mês a mês. Quem fecha a fatura com R$ 8.000 ou mais recebe de volta 100% da parcela, os R$ 69 inteiros. Quem fecha com R$ 4.000 ou mais recebe 50%, ou R$ 34,50. Abaixo disso, paga cheio. A condição, em todos os casos, é que a fatura seja paga — do mínimo ao total — até o vencimento.

Vale fazer a conta antes de comemorar. R$ 69 equivalem a 0,86% de um gasto mensal de R$ 8.000; na faixa dos 50%, os R$ 34,50 que sobram representam exatamente os mesmos 0,86% de R$ 4.000 — a CAIXA calibrou os dois degraus para o mesmo custo proporcional. Quem gasta R$ 2.000 por mês, por outro lado, paga os R$ 828 integrais sobre R$ 24.000 de consumo anual: 3,45% do que passou no cartão, sem nenhum cashback sobre compras para amortecer.

Atenção à letra miúda: como o cashback vale para a fatura paga do mínimo ao total, é possível receber os R$ 69 pagando só o mínimo e financiando o resto. Não faça isso — um único mês rolando a fatura custa mais do que a anuidade inteira do ano. Do lado bom, os adicionais são isentos: o gasto da família soma na mesma fatura e ajuda a bater o degrau dos R$ 8.000 sem custo extra.

CustoValor
Anuidade anualR$ 828
Anuidade no primeiro anoR$ 828 (sem desconto de entrada)
Parcela mensal12x R$ 69
Cashback da anuidade100% da parcela do mês com fatura a partir de R$ 8.000; 50% a partir de R$ 4.000, desde que a fatura seja paga até o vencimento
Cashback sobre comprasNão existe neste cartão
Cartões adicionaisIsentos de anuidade
Compras internacionaisIOF de 3,38% + spread cambial da bandeira Elo
IOF sobre o crédito utilizado0,38% fixo sobre o valor da operação + 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor
Saque no créditoNão informado na ficha — consultar o site oficial da CAIXA
Multa e juros por atrasoNão informados na ficha — consultar o site oficial da CAIXA
Segunda via do cartãoNão informada na ficha — consultar o site oficial da CAIXA

Três linhas dessa tabela dizem "não informado", e isso é uma crítica, não um detalhe de rodapé. Saque no crédito, multa por atraso e segunda via são justamente as tarifas que o cliente descobre no pior momento possível: quando já precisa delas.

Juros do rotativo, parcelamento e CET

O crédito rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro — mais cara que cheque especial, empréstimo pessoal ou financiamento de veículo. É acionado sozinho, sem que você assine nada, no instante em que paga menos do que o total da fatura, e é ali que qualquer vantagem de um cartão premium evapora.

Neste cartão, a transparência é o problema central. A CAIXA não divulga a taxa de juros do rotativo nem a do parcelamento da fatura do Nanquim: a página oficial diz apenas que o CET — Custo Efetivo Total —, o prazo máximo e a taxa de juros são apresentados na simulação, antes da contratação. O preço do crédito é definido pelo seu perfil de risco e você só o conhece no fim da jornada.

Os números que temos são referências de mercado, não taxas da CAIXA. Segundo os dados do Banco Central reunidos nesta ficha, a média do sistema bancário brasileiro em janeiro de 2026 ficou em 14,8% ao mês no rotativo. Em juros compostos, isso equivale a cerca de 424,5% ao ano — 1,148 elevado a 12, menos 1, dá aproximadamente 424%, e a diferença é só o arredondamento da taxa mensal. O CET médio do mercado nessa modalidade chegou a 451,5% ao ano, porque o Custo Efetivo Total soma ao juro os tributos e as tarifas.

Um exemplo para dar escala. Suponha R$ 3.000 rolando por 30 dias no rotativo, a 14,8% ao mês: são R$ 444,00 de juros, mais R$ 11,40 de IOF fixo (0,38% sobre a operação) e R$ 7,38 de IOF diário (0,0082% ao dia, por 30 dias). Total de R$ 462,78 num único mês — mais da metade da anuidade anual, queimada em trinta dias. Nenhum cashback, ponto ou seguro deste cartão compensa isso.

Sobre o parcelamento da fatura, a CAIXA também não publica taxa nominal, e por isso não indicamos número nenhum aqui — quem indicar está estimando. A regra prática é universal no Brasil: parcelar sai sempre mais barato do que rolar o saldo. Se um mês apertar, peça o parcelamento antes do vencimento e exija por escrito a taxa e o CET da operação.

Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 — regulamentada pela Resolução CMN 5.112/2023, que a própria CAIXA cita em seu material — limita os encargos do rotativo ao valor original da dívida: R$ 3.000 devidos não podem acumular mais de R$ 3.000 em juros e encargos. Cuidado com a leitura, porém. Isso limita o quanto a dívida cresce, não a taxa mensal anunciada.

Benefícios principais

Comece pelo ponto que gera mais confusão: o cashback do Nanquim é da anuidade, não das compras. Nenhum percentual do que você gasta volta para o bolso — o que volta é a mensalidade de R$ 69, integral ou pela metade. Quem procura um cartão que devolve dinheiro sobre o consumo está no produto errado.

O acúmulo fica por conta do Programa Pontos CAIXA: 2,3 pontos por US$ 1,00 em compras nacionais e 3,2 pontos por US$ 1,00 em compras internacionais. Repare no denominador — a pontuação é medida em dólar mesmo quando a compra é feita em real. A ficha oficial não informa qual cotação a CAIXA usa nessa conversão nem quanto vale cada ponto no resgate. Sem esses dois dados é impossível projetar o retorno: qualquer conta que apareça por aí é estimativa. Confira no site do emissor antes de escolher o cartão pela pontuação.

Nas viagens, o Nanquim dá 2 acessos gratuitos por ano a salas VIP da rede Priority Pass, divisíveis entre titular e acompanhantes. Sejamos francos sobre o tamanho disso: dois acessos por ano é pouco para a categoria Black e, se você levar um acompanhante, os dois se esgotam numa única ida ao aeroporto. Os demais são pagos.

A plataforma Elo FLEX reúne 11 benefícios, dos quais no máximo 5 ficam ativos ao mesmo tempo. O marketing destaca o 11; o número que descreve a sua vida é o 5. A ficha não lista quais são esses benefícios nem as regras de troca, então consulte a plataforma da bandeira antes de contar com algum.

O pacote de seguros e assistências é largo para a faixa de preço: Seguro Proteção e Compras, Garantia Estendida, Seguro Viagem, Assistência Auto, Assistência Residencial e Assistência Pet. Seis itens numa anuidade de R$ 828 é boa relação — com a ressalva de sempre: cada apólice tem limite de cobertura, carência e regras de acionamento próprias, que ficam nos manuais da bandeira. No dia a dia, o cartão tem pagamento por aproximação, cartão virtual e funciona com Apple Pay e Google Pay. A ficha não descreve nada sobre Pix no crédito, então não afirmamos que exista — confira no aplicativo da CAIXA se isso for decisivo.

Requisitos para pedir

A CAIXA não publica renda mínima para o Nanquim. Quem cita um valor específico está repetindo estimativa de mercado, não informação do emissor. A aprovação depende da análise de crédito: score, histórico de pagamentos no SPC e no Serasa, relacionamento com o banco, comprovação de renda e a avaliação de risco atualizada pela própria CAIXA. Dois clientes com a mesma folha de pagamento podem receber respostas diferentes.

Em compensação, o emissor publica um filtro bem mais concreto do que uma renda declarada: o cartão exige limite mínimo para contratação de R$ 15.000. Se a análise não liberar esse limite, o Nanquim não sai — é esse o corte que decide quem consegue o cartão. O limite máximo não é divulgado, nem o prazo entre a compra e o vencimento da fatura.

RequisitoCondição
Idade mínima18 anos
Renda mínimaNão publicada pela CAIXA — a aprovação depende da análise de crédito, que considera score, histórico no SPC e no Serasa, relacionamento com o banco e comprovação de renda
Limite mínimo para contrataçãoR$ 15.000
Limite máximoNão publicado pelo emissor
Prazo entre a compra e o vencimentoNão publicado na ficha oficial
DocumentosCPF; documento de identificação dentro do prazo de validade; comprovante de residência atualizado; comprovante de renda atualizado
Análise de créditoAvaliação de risco de crédito atualizada pela CAIXA
Emissor, bandeira e categoriaCaixa Econômica Federal — Elo Black

Pontos fortes e fracos

Lido com critério editorial, o Nanquim é um produto coerente que erra por omissão: entrega bem aquilo que promete e esconde aquilo que deveria mostrar.

O que ele faz bem:

  • Anuidade baixa para a categoria. R$ 828 por ano num cartão Black é preço de cartão intermediário, e isso muda a conversa desde o começo.
  • Régua de isenção acessível. R$ 8.000 de fatura no mês zeram a parcela — patamar bem mais alcançável que o dos Black dos grandes bancos privados.
  • Degrau intermediário de 50%. A faixa a partir de R$ 4.000 é rara: em vez de tudo ou nada, o cartão premia quem chega no meio do caminho.
  • Adicionais sem anuidade. A família inteira usa e soma na mesma fatura, ajudando a bater o degrau do cashback sem custo por titular extra.
  • Seguros acima do preço. Seis coberturas, incluindo residencial, auto e pet, é pacote incomum nessa faixa de anuidade.

O que ele faz mal:

  • Duas salas VIP por ano. Para um Black, é pouco — e, como os acessos são divisíveis com acompanhantes, uma viagem a dois consome a cota anual inteira.
  • O 11 do Elo FLEX é 5 na prática. O teto de cinco benefícios ativos ao mesmo tempo reduz bastante o que o número grande do anúncio sugere.
  • Nenhum cashback sobre compras. Todo o retorno em dinheiro se resume a devolver a própria mensalidade do cartão.
  • Pontuação impossível de projetar. Acumular por dólar sem que o emissor publique a cotação da conversão nem o valor do ponto no resgate impede qualquer cálculo honesto.
  • Taxas e tarifas não publicadas. Juros do rotativo, juros do parcelamento, CET, saque no crédito, multa por atraso e segunda via: nada disso está na página do produto.
  • A isenção é mensal, não anual. Um mês fraco de gastos e a parcela vem cheia, mesmo que os outros onze tenham sido excelentes.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Perfil 1 — o correntista CAIXA que passa R$ 8.000 por mês no cartão e paga a fatura integral. É o cliente para quem o produto foi desenhado, e para ele a conta é imbatível: a parcela de R$ 69 volta inteira todo mês, o custo efetivo do cartão vai a zero e ainda sobram seis seguros e assistências, adicionais gratuitos e duas entradas em sala VIP por ano. Pouca coisa no mercado brasileiro entrega categoria Black a custo zero com exigência de gasto tão modesta.

Perfil 2 — quem gasta entre R$ 4.000 e R$ 8.000 por mês. Aqui o cartão sai por R$ 34,50 por mês, ou R$ 414 no ano, e a decisão fica apertada. Se as duas entradas em sala VIP forem realmente usadas, cada uma sai por R$ 207 e os seguros entram de graça no pacote. Se você não pisa em aeroporto, está pagando R$ 414 por um pacote de seguros e por um programa de pontos que não consegue avaliar direito — compare com cartões sem anuidade antes de decidir.

Perfil 3 — quem gasta menos de R$ 4.000 por mês ou costuma rolar a fatura. O cartão joga contra você nas duas hipóteses. Gastando R$ 2.000 por mês, você paga os R$ 828 integrais sobre R$ 24.000 de consumo anual: 3,45% de tudo o que passou no cartão, sem nada voltando sobre as compras. E, se rolar a fatura, a matemática fica cruel — um único mês com R$ 3.000 no rotativo custa R$ 462,78 entre juros e IOF, mais do que seis parcelas da anuidade. Quem convive com o rotativo precisa de um cartão sem anuidade e de um plano para sair da dívida.

Uma observação final: se você viaja bastante para fora do país, confira a aceitação da bandeira Elo nos destinos que costuma frequentar e compare o pacote de salas VIP com o dos concorrentes. No fim, o corte deste cartão não é de renda — é de comportamento.

Como pedir

O pedido é feito na página oficial do produto, em caixa.gov.br, e nos canais habituais do banco: aplicativo, internet banking e agências. Correntistas têm o caminho mais curto, porque a CAIXA já tem o histórico de relacionamento para avaliar.

Separe os documentos antes: CPF, documento de identificação dentro do prazo de validade, comprovante de residência atualizado e comprovante de renda atualizado. A proposta passa pela avaliação de risco de crédito da CAIXA e só avança se a análise liberar o limite mínimo de contratação, de R$ 15.000.

Antes de assinar, exija na simulação o que não está na página pública — e o banco é obrigado a apresentar: a taxa de juros do rotativo e a do parcelamento da fatura aplicadas ao seu CPF, o CET (Custo Efetivo Total) correspondente e as tarifas de saque no crédito, segunda via e multa por atraso. É o CET, e não a taxa mensal isolada, que revela quanto o crédito custa de verdade.

Dois detalhes práticos para fechar. A cobrança da anuidade só começa depois do desbloqueio, então desbloqueie quando estiver pronto para usar. E peça os adicionais desde o início: não custam anuidade e o gasto de todos soma na mesma fatura, ajudando a alcançar o degrau do cashback todo mês.

Conclusão editorial

O CAIXA Elo Nanquim resolve bem um problema específico: dar acesso à categoria Black a quem gasta de forma concentrada, mas não passa dezenas de milhares de reais por mês no cartão. A régua de R$ 8.000 para zerar a parcela é das mais baixas do segmento, o degrau de 50% é raro, os adicionais são gratuitos e o pacote de seguros supera o que uma anuidade de R$ 828 costuma comprar. Para o correntista CAIXA disciplinado, é escolha racional.

O que incomoda é o silêncio. O emissor não publica renda mínima, não publica limite máximo, não publica o prazo da fatura, não publica tarifa de saque, de segunda via nem multa por atraso e, sobretudo, não publica os juros do rotativo, os do parcelamento nem o CET. Quem contrata assina sem saber quanto custa o crédito que está levando junto — pouco, para o padrão que se espera de um banco público.

E há o que o cartão simplesmente não é. Duas entradas em sala VIP por ano não sustentam um viajante frequente, uma pontuação em dólar sem cotação nem valor de resgate publicados não sustenta um colecionador de milhas, e cashback sobre compras não existe. Nossa recomendação: peça o Nanquim se as suas últimas seis faturas mostram R$ 8.000 ou mais por mês, se você paga integral e se o que quer é um Black barato com bons seguros. Se alguma dessas três condições falhar, há opções melhores.

Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.