O Inter Prime é o cartão premium do Banco Inter — o mesmo que muita gente ainda procura pelo nome antigo, Inter Black. Ele não cobra anuidade, mas também não é para qualquer um: só sai para quem assina o plano anual do Duo Gourmet ou gasta, em média, R$ 7.000 em quatro faturas seguidas. Nosso veredito em uma frase: é um bom cartão premium sem custo fixo para quem paga a fatura integral e usa o câmbio da conta global, e um péssimo negócio para quem carrega saldo no rotativo.

O que é este cartão

O Inter Prime é emitido pelo Banco Inter, roda na bandeira Mastercard e está na categoria Black. Ele ocupa hoje a posição que era do antigo Inter Black dentro da linha oficial do banco, formada por Gold, Platinum, Prime e Win. Se você chegou aqui procurando "Inter Black", é deste cartão que estamos falando.

O posicionamento é incomum no mercado brasileiro: um cartão de categoria alta sem anuidade, entregue como recompensa de relacionamento em vez de vendido por mensalidade. Toda a linha do Inter é anunciada sem anuidade, e o Prime não foge à regra. O que muda em relação aos irmãos mais simples é o que vem junto: seguros de categoria Black, acesso a salas VIP por resgate de pontos e o programa Inter Loop.

A contrapartida é a porta de entrada. Não basta querer: é preciso ter conta no Banco Inter e cumprir um dos dois critérios de acesso — assinar o plano anual do Duo Gourmet ou manter uma média de R$ 7.000 em quatro faturas consecutivas. Esses critérios são para conseguir o cartão, e não para isentar uma anuidade que simplesmente não existe. Na nossa avaliação editorial, ele fica em 4,6 de 5 — e boa parte da nota vem da ausência de custo fixo, não da força do programa de pontos.

Anuidade e custos reais

A anuidade do Inter Prime é R$ 0 — no primeiro ano e nos seguintes — e não há mensalidade. Isso é raro num cartão Black no Brasil, onde o padrão do segmento é cobrar algumas centenas de reais por ano e devolver parte disso em benefícios.

Zero de anuidade, porém, não é zero de custo: é nos usos fora do trivial que o Inter Prime pesa. O saque em dinheiro custa R$ 30 por operação, mais IOF, mais os juros do rotativo se o valor não for quitado na fatura. Numa retirada pequena, de R$ 200, a tarifa sozinha já representa 15% do valor sacado antes de qualquer juro — saque no crédito continua sendo um dos piores usos possíveis do cartão, e este não é exceção.

Nas compras em moeda estrangeira, o Inter usa um caminho diferente do resto do mercado: pela Global Account em dólar, aplica o câmbio comercial (PTAX) mais 1%, com IOF reduzido. Fora da Global Account, incide o IOF padrão de 3,38%. A ficha do emissor não detalha qual é a alíquota reduzida aplicada dentro da conta global, então esse número precisa ser conferido no aplicativo antes da viagem. Em caso de atraso, a conta soma multa de 2%, juros de mora de 1% ao mês e o rotativo de até 17,9% ao mês. O valor da segunda via do cartão não consta nos dados publicados pelo emissor e deve ser conferido no tarifário oficial do Banco Inter.

CustoValor
AnuidadeR$ 0
Anuidade no primeiro anoR$ 0
MensalidadeR$ 0
Saque em dinheiroR$ 30 + IOF + juros do rotativo, se não for pago
Compras em moeda estrangeiraPTAX + 1% pela Global Account em dólar (IOF reduzido); fora dela, IOF de 3,38%
Atraso no pagamentoMulta de 2% + juros de mora de 1% ao mês + rotativo de até 17,9% ao mês
Juros do rotativoAté 17,9% ao mês (621,38% ao ano em juros compostos)
Juros do parcelamento da faturaNão publicado pelo emissor; condições apresentadas no app na contratação
Segunda via do cartãoNão publicado; conferir no tarifário oficial
IOF0,38% sobre a operação + 0,0082% ao dia, limitado a 365 dias (Decreto nº 6.306/2007)

Juros do rotativo, parcelamento e CET

O crédito rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro, e o Inter Prime não escapa disso. O banco informa uma taxa de até 17,9% ao mês. Convertida para o ano com juros compostos — ((1 + 17,9/100)12 − 1) × 100 —, essa taxa equivale a 621,38% ao ano. Não é erro de digitação: uma dívida que entra no rotativo e fica lá multiplica por mais de sete vezes em doze meses, se nada a interromper.

Um exemplo com números redondos ajuda a enxergar. Suponha R$ 1.000 não pagos na fatura e levados ao rotativo por 30 dias. Só de juros, à taxa máxima informada, são R$ 179,00. Some o IOF: 0,38% sobre a operação, R$ 3,80, mais 0,0082% ao dia por 30 dias, R$ 2,46 — R$ 6,26 no total. O saldo chega perto de R$ 1.185 em um único mês, sem nenhuma multa envolvida. Mantida a mesma taxa, em quatro meses os juros acumulados já somariam cerca de 93% do valor original, e no quinto mês passariam de 100%.

É exatamente aí que entra a Lei 14.690/2023, em vigor desde janeiro de 2024: os encargos do rotativo não podem ultrapassar o valor original da dívida. Isso limita até onde a bola de neve rola — não limita a taxa mensal anunciada. Continua sendo dinheiro caríssimo.

Sobre o parcelamento da fatura, o Banco Inter não publica uma taxa fixa em página pública para este cartão. As condições — taxa, número de parcelas e eventual entrada — são apresentadas ao cliente no aplicativo, no momento da contratação da oferta, e variam caso a caso. Quem for usar esse recurso precisa ler a proposta na tela antes de aceitar.

O CET (Custo Efetivo Total) é o número que realmente importa numa comparação, porque reúne juros, IOF, tarifas e seguros num percentual único. O Inter também não divulga o CET anual do rotativo em página pública: segundo o próprio banco, esse valor aparece na fatura mensal, ao lado do campo "Pagamento Mínimo". Ou seja, se você quer saber quanto custa de fato rolar a dívida neste cartão, o lugar de olhar é a sua própria fatura — e nós recomendamos olhar antes de precisar.

Benefícios principais

O programa de recompensas é o Inter Loop: 1 ponto a cada R$ 2,50 gastos no crédito. Os pontos podem ser trocados por milhas aéreas, cashback direto na conta, acesso a salas VIP, dólares na conta global, desconto na fatura ou investimentos. A flexibilidade é o ponto forte: poucos programas deixam escolher entre milha, dinheiro na conta e aplicação financeira com a mesma moeda.

O acúmulo, em compensação, é modesto. Quem gasta os R$ 7.000 mensais exigidos pelo critério de relacionamento junta 2.800 pontos por mês. E há uma armadilha de prazo: os pontos expiram em 6 meses sem nova acumulação. Quem usa o cartão de forma irregular corre risco real de ver o saldo evaporar antes de resgatar. O emissor não publica o valor de conversão do ponto: essa conta só dá para fazer no app, na hora do resgate.

O acesso a salas VIP existe e inclui buffet completo, mas sai por resgate de pontos Loop, não como benefício gratuito do cartão. Quem está acostumado a cartões Black com cortesias anuais de lounge vai estranhar.

Os seguros são o pacote típico de um Mastercard Black: emergência médica internacional, bagagem extraviada, aluguel de carro, compra protegida contra roubo e danos e garantia estendida original. Coberturas, limites e prazos ficam nas condições gerais da bandeira e devem ser lidos antes de contar com eles.

No dia a dia, o cartão tem aproximação (contactless), cartão virtual, Apple Pay e Google Pay, além de parcelamento em até 12x sem juros nas compras — lembrando que, no Brasil, o "sem juros" nessa modalidade costuma depender da oferta da loja. O câmbio pela Global Account, a PTAX + 1%, é provavelmente o benefício mais subestimado do conjunto para quem viaja ou compra em sites de fora. Condições específicas de Pix no crédito ou Pix parcelado não constam nos dados publicados pelo emissor e devem ser conferidas no aplicativo.

Requisitos para pedir

O Inter Prime não é um cartão de porta aberta. Ele é liberado para clientes que já têm conta no Banco Inter e cumprem um dos dois critérios de relacionamento: assinar o plano anual do Duo Gourmet ou manter uma média de R$ 7.000 em quatro faturas consecutivas. A idade mínima é 18 anos.

Sobre renda mínima, é preciso ser direto: o Banco Inter não publica um valor de renda exigido para este cartão. Quem afirmar um número está chutando. A aprovação depende da análise de crédito do banco, que leva em conta score, histórico em SPC e Serasa, relacionamento com a instituição e comprovação de renda. O mesmo vale para o limite de crédito: nem o mínimo nem o máximo são divulgados, e o valor é definido caso a caso na análise.

RequisitoCondição
Idade mínima18 anos
Conta no bancoÉ preciso ter conta no Banco Inter
Critério de acessoAssinar o plano anual do Duo Gourmet ou gastar em média R$ 7.000 em 4 faturas consecutivas
Renda mínimaO emissor não publica valor; aprovação sujeita à análise de crédito
Limite de créditoNão publicado; definido na análise de crédito
Bandeira e categoriaMastercard Black

Pontos fortes e fracos

O maior mérito do Inter Prime é econômico e simples de entender: ele não cobra nada para existir na sua carteira. Um cartão Black sem anuidade e sem mensalidade elimina a conta que quase todo cartão premium obriga a fazer — a de descobrir se os benefícios pagam o custo fixo. Aqui, se você cumpre o critério de relacionamento, o saldo já começa positivo. O segundo mérito é o câmbio: PTAX + 1% pela Global Account ataca um custo que costuma passar despercebido em viagens e compras internacionais. O terceiro é a liberdade de resgate do Inter Loop.

Do outro lado, o programa acumula pouco: 1 ponto a cada R$ 2,50 é um ritmo fraco para um cartão de categoria Black, e a expiração em 6 meses sem nova acumulação pune justamente quem usa o cartão de forma esporádica. As salas VIP, vendidas como atrativo premium, custam pontos — não são cortesia. A porta de entrada é exigente e depende de assinar um serviço pago (Duo Gourmet) ou sustentar um volume de gasto alto. E o rotativo de até 17,9% ao mês, equivalente a 621,38% ao ano, é caro o bastante para anular, em poucas faturas, qualquer economia obtida com a anuidade zero. Um cartão gratuito usado com dívida rolando deixa de ser gratuito muito rápido.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Perfil 1 — a assinante do Duo Gourmet que paga a fatura integral. Marina já assina o plano anual do Duo Gourmet porque janta fora com frequência. Para ela, o critério de acesso ao Prime é custo afundado: já está pago. Ela ganha um cartão Black sem anuidade, seguros de viagem, um programa de pontos flexível e nunca vê os juros porque quita a fatura toda. Aqui o cartão faz sentido pleno — é o caso em que a conta fecha sem esforço.

Perfil 2 — o profissional que gasta R$ 7.000 por mês e viaja. Rodrigo concentra despesas no cartão e viaja algumas vezes por ano. Ele bate o critério das quatro faturas com folga e extrai valor real do câmbio a PTAX + 1% e dos seguros Mastercard Black. Mas ele precisa fazer uma escolha consciente: acumulando 2.800 pontos por mês, o Inter Loop não é um programa de acúmulo forte de milhas. Se o objetivo principal for milhagem, vale comparar com cartões de programas mais agressivos, mesmo que cobrem anuidade — a anuidade paga pode sair mais barata que a milha não acumulada.

Perfil 3 — quem paga o mínimo da fatura. Camila usa o cartão como extensão do orçamento e frequentemente paga menos que o total. Para ela, este cartão — e qualquer outro — é uma armadilha. A anuidade zero economiza algumas centenas de reais por ano; o rotativo a até 17,9% ao mês devora esse valor em uma ou duas faturas. Antes de escolher cartão, o problema a resolver é outro: sair do rotativo, negociar o parcelamento e recuperar a capacidade de pagar a fatura integral.

Também não vale a pena para quem não tem conta no Inter e não pretende abrir, nem para quem não alcança o relacionamento exigido — nesse caso, o cartão simplesmente não é liberado.

Como pedir

O pedido é feito pelos canais do próprio Banco Inter: abrir ou já ter conta, cumprir um dos dois critérios de acesso — plano anual do Duo Gourmet ou média de R$ 7.000 em quatro faturas consecutivas — e acompanhar a oferta do cartão no aplicativo. Como o Prime é liberado por relacionamento, a solicitação costuma partir do app, e não de um formulário público.

A página oficial dos cartões do Banco Inter é inter.co/pra-voce/cartoes. Confira lá as condições vigentes antes de decidir, porque taxas e critérios podem mudar sem aviso.

Três coisas que recomendamos verificar antes de aceitar o cartão: o CET do rotativo impresso na sua fatura, ao lado do campo "Pagamento Mínimo"; a taxa do parcelamento da fatura que aparece na tela do app no momento da contratação, já que ela não é publicada previamente; e o tarifário oficial do banco, para custos que não constam nas condições divulgadas, como a segunda via do cartão. Guarde o print: em produto financeiro, vale o que estava escrito no dia em que você aceitou.

Conclusão editorial

O Inter Prime é um dos poucos cartões de categoria Black no Brasil que realmente não cobra anuidade, e isso basta para colocá-lo na mesa de quem já é cliente do Banco Inter. Ele é forte onde o mercado costuma ser caro — custo fixo e câmbio internacional — e fraco onde os premium normalmente brilham: o acúmulo do Loop é modesto, os pontos expiram em seis meses sem movimentação e as salas VIP saem do seu saldo, não de uma cortesia.

Nossa recomendação é condicional. Se você assina o Duo Gourmet ou já concentra R$ 7.000 por mês no Inter, e paga a fatura integral todo mês, é um bom cartão sem custo. Se o plano é usar o crédito rotativo, nenhuma anuidade zero compensa até 17,9% ao mês. E se o objetivo é acumular milhas com força, compare antes: pode valer mais pagar anuidade em outro programa. Renda mínima e limite não são publicados pelo emissor — dependem da análise de crédito, e ninguém deveria prometer aprovação.

Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.