O Nubank Ultravioleta é o Mastercard Black da fintech roxa e cobra R$ 89 por mês — R$ 1.068 ao ano — com isenção para quem gasta acima de R$ 8.000 mensais no crédito ou mantém R$ 50 mil guardados no banco. Entrega 1,25% de cashback que rende na Caixinha, sala VIP própria em Guarulhos e quatro acessos anuais ao Priority Pass. Nosso veredito: é um Black bem desenhado para gasto alto com fatura paga integralmente, e caro demais para todo o resto.
O que é este cartão
O Nubank Ultravioleta é o cartão de topo da linha do Nubank, emitido na bandeira Mastercard e na categoria Black, o nível mais alto que a bandeira oferece no Brasil. Ele foi desenhado para o cliente que já vive dentro do aplicativo roxo: conta, Caixinha, investimentos e cartão conversam entre si, e é dessa integração que nasce o principal argumento do produto.
A proposta é simples de enunciar e difícil de copiar. Em vez de um programa de pontos genérico, o Ultravioleta paga 1,25% de cashback sobre as compras no crédito e, segundo as condições divulgadas pelo emissor, deixa esse dinheiro rendendo 100% do CDI dentro da Caixinha do Nubank. Quem prefere viajar troca de trilho e acumula pontos — a partir de 2,2 pontos por dólar gasto — transferíveis para LATAM Pass, Azul Fidelidade e Gol Smiles.
No dia a dia, há contactless, cartão virtual para compras online, Apple Pay e Google Pay. É um produto totalmente digital, sem agência e sem gerente: ajuda quem resolve tudo pelo celular e incomoda quem esperava atendimento presencial de um cartão Black. Um registro que muda a forma de ler o resto desta análise: o Nubank não publica renda mínima nem faixa de limite para este cartão, e a ficha indica que o acesso costuma depender de avaliação interna do banco.
Anuidade e custos reais
O Ultravioleta não cobra anuidade no formato tradicional. Cobra mensalidade de R$ 89, o que dá R$ 1.068 em doze meses. Não há desconto de entrada: o valor do primeiro ano é igual ao dos seguintes.
Existem dois caminhos para zerar essa conta. O primeiro é gastar acima de R$ 8 mil por mês no cartão de crédito — e os gastos do cartão adicional contam para o total. O segundo é manter R$ 50 mil investidos ou guardados no Nubank. Qualquer um dos dois derruba a mensalidade do período.
A conta que realmente importa é a do ponto de equilíbrio. Com 1,25% de cashback, você precisa gastar R$ 7.120 por mês só para o retorno empatar com os R$ 89 da mensalidade. Acima de R$ 8.000, a mensalidade some e o cashback vira ganho líquido. Abaixo, a matemática vira contra você: quem gasta R$ 4.000 por mês recebe R$ 600 de cashback no ano e paga R$ 1.068 de mensalidade, ou seja, R$ 468 de custo líquido por ano para carregar um cartão Black. É o erro mais comum com este produto.
Fora a mensalidade, o cartão é enxuto. Saque no crédito sem tarifa (mas com juros altos, tratados adiante), segunda via gratuita e um pacote internacional agressivo: o IOF das compras no exterior é devolvido na fatura em até sete dias e o spread cambial é de 3,5% sobre o dólar PTAX Venda, contra PTAX Venda mais 4% no cartão Nubank comum.
| Custo | Valor |
|---|---|
| Mensalidade | R$ 89,00 |
| Equivalente em 12 meses | R$ 1.068,00 |
| Primeiro ano | R$ 1.068,00 (sem desconto de entrada) |
| Isenção da mensalidade | Gasto acima de R$ 8.000/mês no crédito ou R$ 50.000 investidos/guardados no Nubank |
| Tarifa de saque no crédito | R$ 0,00 |
| Juros do saque no crédito | 9,75% ao mês + IOF |
| Compras internacionais | IOF devolvido na fatura em até 7 dias + spread de 3,5% sobre o PTAX Venda |
| Segunda via do cartão | R$ 0,00 |
| Atraso no pagamento | Multa de 2% + juros de mora de 1% ao mês + juros do rotativo |
| IOF no crédito | 0,38% fixo + 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor |
Juros do rotativo, parcelamento e CET
Aqui está a parte cara. O rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro — mais cara que cheque especial, consignado ou empréstimo pessoal — e o Ultravioleta não é exceção.
Segundo os contratos publicados pelo Nubank, o rotativo vai de 2,75% a 19,99% ao mês e o parcelamento da fatura vai de 0,99% a 19,75% ao mês. Trabalhamos com o teto, porque é o cenário que o leitor precisa saber que existe: 19,99% ao mês equivalem a 790,72% ao ano em juros compostos, e 19,75% ao mês equivalem a 769,57% ao ano. Há um detalhe importante: o Nubank não publica taxas específicas do Ultravioleta. As faixas valem para toda a linha de cartões e a taxa de cada cliente sai da análise de crédito. Na prática, você só descobre a sua quando ela aparece na fatura.
Some a isso o IOF: 0,38% fixo sobre o valor da operação mais 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor.
Um exemplo concreto. Você deixa R$ 1.000 no rotativo por 30 dias, no teto de 19,99% ao mês. São R$ 199,90 de juros, mais R$ 3,80 de IOF fixo e R$ 2,46 de IOF diário: R$ 1.206,16 para quitar. Se atrasar o pagamento, entram ainda a multa de 2% e a mora de 1% ao mês.
Sobre o CET, precisamos ser francos. O teto divulgado pelo emissor é de 289,42% ao ano, número que não fecha com os 790,72% da taxa máxima anualizada. As duas informações vêm de divulgações diferentes e não são comparáveis linha a linha. O CET que vale para você é o impresso na sua própria fatura — é ele que tem efeito legal, e é ele que você deve conferir.
Existe um alívio. Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 limita os encargos do rotativo ao valor original da dívida: aqueles R$ 1.000 não podem gerar mais de R$ 1.000 em encargos, e a conta para em R$ 2.000. Isso limita o quanto a bola de neve cresce, mas não reduz a taxa mensal anunciada.
O saque no crédito não tem tarifa, mas cobra 9,75% ao mês — 205,39% ao ano na conversão composta — mais IOF, desde o primeiro dia. Continua caro, ainda que abaixo do teto do rotativo. Por fim, o emissor não publica o prazo de carência (os dias sem juros entre a compra e o vencimento) deste cartão: confira as datas de fechamento e vencimento na sua fatura.
Benefícios principais
Cashback ou pontos, decidido no resgate
O Ultravioleta paga 1,25% de cashback nas compras no crédito e, segundo o emissor, esse valor fica rendendo 100% do CDI na Caixinha do Nubank. A alternativa é acumular pontos, a partir de 2,2 pontos por dólar gasto, que não expiram e podem ser transferidos para LATAM Pass, Azul Fidelidade e Gol Smiles. A escolha entre dinheiro de volta e pontos é feita no momento do resgate — algo raro no mercado brasileiro e genuinamente útil, porque tira do cliente a aposta que outros programas obrigam a fazer na contratação.
Existe ainda o modo LATAM Pass, em que as compras acumulam 2,2 milhas LATAM Pass por dólar diretamente, com 10% de bônus nos envios automáticos. O resgate é limitado a R$ 7.500 por mês por modalidade — teto que quase ninguém encosta: com 1,25%, seria preciso gastar R$ 600 mil em um único mês para atingi-lo.
Salas VIP
São duas coisas diferentes e não devem ser confundidas. A sala VIP Ultravioleta, exclusiva do cartão, fica em Guarulhos e tem acesso ilimitado. Fora dali, você tem 4 acessos anuais ao Priority Pass mundial. Para quem embarca por GRU com frequência, é excelente. Para quem voa por Congonhas, Brasília, Galeão ou Confins, são quatro visitas por ano e acabou.
Seguros
A ficha lista seguro de viagem internacional Chubb, seguro de bagagem extraviada, seguro de aluguel de carro (LDW), seguro contra atraso de voo e cobertura médica e hospitalar no exterior. Limites de indenização, carências e exclusões não constam da ficha e ficam no manual do segurado — leia antes de contar com a cobertura em uma viagem.
Uso internacional, Pix e funções digitais
No exterior, o IOF é devolvido na fatura em até sete dias e o spread é de 3,5% sobre o PTAX Venda, contra PTAX Venda mais 4% no cartão Nubank comum. No dia a dia há contactless, cartão virtual, Apple Pay e Google Pay. Sobre Pix no crédito ou Pix parcelado, a ficha do produto não traz condições — confira no aplicativo do emissor antes de contar com a função.
Requisitos para pedir
O Nubank não publica renda mínima para o Ultravioleta. Isso não significa que não exista exigência; significa que o emissor não divulga o número. A aprovação sai da análise de crédito, que olha para o seu score, o histórico no SPC e no Serasa, o relacionamento com o banco e a comprovação de renda. A ficha do produto também indica que o acesso costuma depender de convite ou de avaliação interna, o que na prática favorece quem já é cliente e movimenta valores relevantes no Nubank.
O mesmo vale para o limite de crédito: o emissor não publica valor mínimo nem máximo, e também não divulga o prazo de carência. Nenhum desses campos pode ser lido como zero — eles simplesmente não têm valor público, e um comparador honesto precisa dizer isso em vez de preencher a lacuna com um palpite. A única exigência formal informada é a idade mínima de 18 anos; a lista de documentos não consta da ficha e deve ser conferida na página oficial do emissor.
| Requisito | Condição |
|---|---|
| Idade mínima | 18 anos |
| Renda mínima | Não publicada pelo emissor — depende da análise de crédito |
| Limite de crédito mínimo | Não publicado pelo emissor |
| Limite de crédito máximo | Não publicado pelo emissor |
| Dias sem juros (carência) | Não publicado pelo emissor |
| Documentos exigidos | Não informados na ficha — conferir no site do Nubank |
| Forma de acesso | Análise interna; a ficha indica que pode depender de convite |
Pontos fortes e fracos
O que o cartão faz bem
- O cashback que rende. 1,25% já é dinheiro de volta; deixar esse valor rendendo 100% do CDI na Caixinha adiciona um ganho que a maioria dos concorrentes não oferece.
- Flexibilidade real no resgate. Decidir entre cashback e pontos só na hora de resgatar, com pontos que não expiram e três programas aéreos disponíveis, é vantagem estrutural sobre quem exige a escolha na contratação.
- O pacote internacional. IOF devolvido em até sete dias somado a spread de 3,5% sobre o PTAX Venda é um dos melhores desenhos do mercado brasileiro.
- Custo fixo controlável. Duas rotas de isenção — gasto ou saldo — sem tarifa de saque e sem tarifa de segunda via.
- Sala própria em Guarulhos, ilimitada: benefício concreto, não adorno de folheto, para quem voa pelo maior aeroporto do país.
O que o cartão faz mal
- Cashback modesto para a categoria. 1,25% é discreto para um Black que cobra R$ 1.068 ao ano; existem premium no mercado com retorno superior.
- A régua de isenção é alta. R$ 8.000 por mês são R$ 96.000 por ano passando pelo cartão. Fora desse patamar, o produto consome dinheiro líquido.
- Priority Pass raso. Quatro acessos anuais é pouco para um cartão de topo, e a sala ilimitada existe em um único aeroporto.
- Opacidade de informação. Renda mínima, faixa de limite e carência não são publicados, e as taxas divulgadas valem para toda a linha Nubank, não para o Ultravioleta. A responsabilidade disso é do emissor.
- Rotativo no teto é devastador: 19,99% ao mês, 790,72% ao ano.
Para quem vale a pena (e para quem não)
Vale a pena: Marina, R$ 9.000 por mês e fatura paga integralmente
Marina é gerente de projetos em São Paulo, coloca R$ 9.000 por mês no cartão, paga a fatura fechada todo mês e viaja três vezes por ano embarcando por Guarulhos. Ela está isenta da mensalidade, recebe R$ 112,50 de cashback por mês — R$ 1.350 no ano, rendendo na Caixinha — e usa a sala VIP em GRU sem limite. Para ela, o cartão é lucro, não custo.
Não vale a pena: Rodrigo, R$ 3.500 por mês
Rodrigo é analista, gasta R$ 3.500 por mês e também paga a fatura integral. Recebe R$ 43,75 de cashback mensais, R$ 525 no ano, contra R$ 1.068 de mensalidade: R$ 543 de prejuízo líquido por ano. E ele não voa o suficiente para compensar isso nos benefícios de viagem. Rodrigo é o público-alvo errado, ainda que passe na análise de crédito — e passar na análise não é o mesmo que o cartão fazer sentido.
Não vale a pena: Camila, gasta bem mas parcela a fatura
Camila gasta R$ 8.500 por mês e está isenta da mensalidade, mas costuma empurrar parte da fatura para o mês seguinte. Se carregar R$ 3.000 no rotativo por 30 dias no teto de 19,99% ao mês, paga R$ 599,70 de juros mais R$ 18,78 de IOF: R$ 618,48 em um único mês. O cashback daquele mesmo mês foi de R$ 106,25. Ou seja, um mês de rotativo apaga quase seis meses de benefício. Nenhum programa de cashback do mercado sobrevive a juros nesse patamar — e aqui o problema não é o cartão, é a modalidade.
Como pedir
O pedido é feito pelos canais do próprio Nubank, e a página oficial do produto é nubank.com.br/ultravioleta. Como a ficha indica que o acesso pode depender de convite ou de avaliação interna, ser cliente do banco e movimentar a conta tende a pesar mais do que preencher um formulário.
Antes de pedir, três checagens que economizam dinheiro:
- Confirme qual rota de isenção você cumpre de verdade. R$ 8.000 de gasto mensal no crédito ou R$ 50 mil guardados no Nubank. Se nenhuma for realista no seu orçamento, o cartão custa R$ 1.068 por ano.
- Pergunte qual é a sua taxa. As faixas divulgadas são amplas — 2,75% a 19,99% ao mês no rotativo, 0,99% a 19,75% no parcelamento — e o número que vale é o seu, não o do folheto.
- Peça as datas de fechamento e vencimento e confira o CET. Como o emissor não publica o prazo de carência deste cartão, essa informação só aparece na sua fatura.
A aprovação depende da análise de crédito e não é garantida. Condições, valores e regras de isenção podem mudar sem aviso: confira sempre na página oficial do emissor antes de decidir.
Conclusão editorial
O Nubank Ultravioleta é um cartão bem construído para um público estreito. Ele não tenta vencer pelo tamanho do cashback — 1,25% é modesto para a categoria — e sim pela engenharia em volta dele: o dinheiro de volta rende, os pontos não expiram, a escolha entre os dois é adiada até o resgate e o pacote de compras internacionais é dos melhores do mercado brasileiro. Para quem gasta acima de R$ 8.000 por mês, paga a fatura integral e embarca por Guarulhos, tudo isso soma bem.
Fora desse recorte, o produto perde a razão de existir. Abaixo do gasto de isenção, você paga R$ 1.068 por ano por benefícios que não consome. Se recorrer ao rotativo ou ao parcelamento da fatura, os juros — até 19,99% ao mês, 790,72% ao ano — anulam qualquer cashback em um único mês. E um comparador precisa dizer o óbvio: um emissor que não publica renda mínima, faixa de limite, prazo de carência nem taxa específica do produto está pedindo confiança sem entregar transparência na mesma medida.
Nossa nota é 4,5 de 5 — alta pela qualidade do desenho, não porque seja um cartão para todo mundo. Antes de pedir, faça a conta com o seu gasto médio real dos últimos seis meses, não com o gasto que você pretende ter.
Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.