O Santander SX Mastercard é o cartão de entrada do Santander: anuidade de R$ 399 por ano que você zera gastando R$ 100 por fatura ou cadastrando CPF e celular como chaves Pix no banco. Tem Pix no crédito parcelado, carteiras digitais e renda a partir de R$ 500 para correntista. Nosso veredito em uma frase: é um primeiro cartão razoável enquanto a isenção estiver de pé, mas perdeu o programa de pontos em novembro de 2025 e o emissor não publica a taxa de juros do rotativo.

O que é este cartão

O SX é o cartão emitido pelo Santander na bandeira Mastercard, classificado pelo emissor como categoria Gold. Na prática, é produto de entrada: existe para aprovar quem está começando no crédito ou quem tem renda baixa e quer um cartão de banco grande, com agência, telefone e aplicativo por trás.

O posicionamento fica claro nos números. A renda mínima é de R$ 500 para correntista Santander e de R$ 1.045 para quem não tem conta no banco. O limite inicial pode sair em apenas R$ 250, e o teto informado para o produto é de R$ 10.000. É um cartão feito para abrir porta, não para acompanhar quem já tem vida financeira consolidada.

Há uma mudança recente que muda tudo na leitura deste produto: desde novembro de 2025 o SX deixou de pontuar no programa Esfera. O cartão continua dando acesso ao Shopping Esfera, que oferece descontos em lojas parceiras, e o Mastercard Surpreenda segue ativo, mas sem acúmulo estruturado de pontos. Ou seja: um cartão de categoria Gold que hoje não tem programa de recompensas próprio. Quem se lembra do SX como “o cartão que pontuava” precisa atualizar a memória antes de pedir.

Na nossa avaliação, o cartão fica em 3,5 de 5. Ele cumpre o essencial — plástico de banco tradicional, isenção de anuidade fácil de alcançar, Pix no crédito, carteiras digitais — e falha justamente onde um comparador olha primeiro: transparência de taxas e retorno para quem gasta.

Anuidade e custos reais

A anuidade cheia é de R$ 399 por ano, cobrada em 12 parcelas mensais de R$ 33,25 na fatura. Esse é o preço que você paga se não cumprir nenhuma das condições de isenção — e, para um cartão sem pontos, sem sala VIP e sem cashback em fatura, é caro.

A isenção tem duas portas, e elas não são equivalentes. A primeira é gastar no mínimo R$ 100 em compras no crédito a cada fatura. A segunda é cadastrar e manter CPF e celular como chaves Pix no Santander. Guarde esta recomendação: a via das chaves Pix é a melhor das duas, porque não exige gastar nada. A via do gasto mínimo é reconquistada mês a mês — se em algum mês você não fechar os R$ 100, aquela parcela de R$ 33,25 aparece na fatura.

E há uma incoerência que vale apontar. Se o seu limite inicial sair no piso de R$ 250, os R$ 100 exigidos por fatura representam 40% de todo o crédito disponível. O cartão pede que você comprometa quase metade do limite todo mês só para não pagar anuidade. Para quem está começando, isso é exatamente o oposto de uma boa prática de crédito — mais um motivo para preferir a isenção via chaves Pix.

Nos custos avulsos, dois merecem atenção. O saque com o cartão de crédito custa R$ 21,90 de tarifa, mais os juros do rotativo. Num saque de R$ 100, a tarifa sozinha equivale a 21,9% do valor sacado, antes de qualquer juro ou IOF. É uma operação a evitar em qualquer cenário. A segunda via do cartão custa R$ 7,90. Em compras internacionais, a ficha registra o IOF de 3,5% previsto no Decreto nº 12.499/2025; o spread cambial cobrado pelo emissor não está informado e deve ser conferido no site oficial do Santander antes de viajar.

CustoValor
AnuidadeR$ 399 por ano
Anuidade no primeiro anoR$ 399
Parcela mensal da anuidadeR$ 33,25
Isenção da anuidadeR$ 100 em compras no crédito por fatura ou CPF e celular cadastrados como chaves Pix no Santander
Segunda via do cartãoR$ 7,90
Saque com o cartão de créditoR$ 21,90 por saque + juros do rotativo
Compras internacionaisIOF de 3,5% (Decreto nº 12.499/2025); spread cambial não informado na ficha
IOF sobre crédito0,38% fixo + 0,0082% ao dia, limitado a 365 dias
Atraso no pagamento da faturaMulta de 2% + juros de mora de 1% ao mês + encargos diários
Prazo sem juros até o vencimentoAté 40 dias
Limite inicialA partir de R$ 250
Limite máximoAté R$ 10.000

Juros do rotativo, parcelamento e CET

Aqui está o problema mais sério deste cartão, e não é o tamanho da taxa: é o fato de ela não existir publicamente. O Santander não divulga a taxa de juros do rotativo nem a do parcelamento da fatura por produto. Os percentuais variam conforme o perfil de crédito de cada cliente e só aparecem no contrato individual, na proposta e na própria fatura. O CET (Custo Efetivo Total) do rotativo também não é publicado por cartão. Isso significa que qualquer número que você encontrar por aí atribuído especificamente ao SX não tem origem oficial — inclusive os nossos, se inventássemos algum. Não vamos inventar: peça a taxa por escrito antes de assinar.

O que dá para afirmar com segurança é como o mecanismo funciona. O rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro, mais cara que cheque especial, empréstimo pessoal ou consignado. Você entra nele sem perceber: basta pagar qualquer valor abaixo do total da fatura. O saldo restante é financiado e volta na fatura seguinte com juros, IOF e — se houver atraso — multa e mora.

O IOF é a única parte que dá para calcular com os dados da ficha: 0,38% fixo mais 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor, limitado a 365 dias. Num exemplo simples: rolar R$ 1.000 de fatura por 30 dias gera R$ 3,80 de IOF fixo mais R$ 2,46 da parcela diária, ou R$ 6,26 de imposto — e isso antes de um centavo de juros. Se a dívida durar um ano inteiro, a parcela diária chega a 2,993% do saldo, somada aos 0,38% iniciais.

Ao atraso somam-se multa de 2%, juros de mora de 1% ao mês e encargos diários. Numa fatura de R$ 1.000 não paga, são R$ 20 de multa mais R$ 10 de mora no primeiro mês, além dos juros do rotativo que você não conhece de antemão.

Um alívio legal existe: desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 limita os encargos do rotativo ao valor original da dívida. Uma dívida de R$ 1.000 não pode virar mais que R$ 2.000 somando juros e encargos. Atenção ao que isso significa de verdade: a lei limita o quanto a bola de neve cresce, não a taxa mensal cobrada. Dobrar a dívida continua sendo péssimo negócio.

Sobre parcelamento, a ficha registra até 24 vezes para a fatura, com juros variáveis por perfil e não publicados, e até 12 vezes no Pix no crédito, com juros a partir de 1,59% ao mês conforme perfil e prazo — o que, mantido por 12 meses em juros compostos, equivale a cerca de 20,84% ao ano. Trate esse 1,59% como piso comercial, não como a sua taxa. Na hora de contratar, exija a simulação com o CET: informá-lo é obrigação do emissor.

Benefícios principais

Cashback: não existe cashback direto em fatura com percentual fixo. O que o cartão oferece são descontos em lojas parceiras dentro do Shopping Esfera. É vantagem condicional — só vale se você já ia comprar naquela loja.

Pontos e milhas: acabaram. Desde novembro de 2025 o SX não acumula pontos no Esfera. O Mastercard Surpreenda continua disponível, mas sem acúmulo estruturado. Se o seu critério de escolha é programa de recompensas, este cartão saiu da lista.

Seguros: são os da bandeira, não do banco. A Proteção de Compra Mastercard cobre roubo e danos acidentais em itens comprados com o cartão por até 90 dias, e a Garantia Estendida Mastercard dobra o prazo de garantia do fabricante. São coberturas úteis para eletrônicos e eletrodomésticos, e muita gente esquece que tem. Não há seguro viagem nesta versão Mastercard — a ficha indica que essa cobertura fica restrita à versão Visa Platinum.

Salas VIP: não tem. Nenhum acesso a lounge de aeroporto.

Pix no crédito: disponível desde setembro de 2025, com parcelamento em até 12 vezes. É o recurso mais moderno do cartão e resolve emergências — pagar um boleto ou um Pix quando o dinheiro da conta acabou. Mas é crédito com juros, não é Pix comum: como hábito mensal, vira dívida cara.

Tecnologia e uso diário: aqui o cartão entrega bem. Tem pagamento por aproximação, cartão virtual para compras online e suporte a Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay. Dá para usar pelo celular no mesmo dia da aprovação, sem esperar o plástico chegar. Somando ao prazo de até 40 dias sem juros entre a compra e o vencimento — no melhor cenário, quando a compra cai logo depois do fechamento —, o SX funciona bem como cartão de rotina para quem paga a fatura integral.

Requisitos para pedir

Os requisitos formais são baixos: 18 anos completos, CPF regular, residência no Brasil e renda mensal comprovada de R$ 500 para correntista Santander ou R$ 1.045 para quem não tem conta no banco. O pedido é feito online, pelo site ou pelo aplicativo do Santander.

Cumprir o mínimo, porém, não garante nada. A aprovação e o limite dependem da análise de crédito: score, histórico de pagamentos, consultas e eventuais restrições no SPC e no Serasa, relacionamento com o banco e a comprovação de renda que você apresentar. A ficha traz uma referência de score em torno de 400 e a recomendação de não ter restrições graves no CPF, mas isso é indicação de mercado, não um corte garantido — quem decide é a análise do banco, caso a caso.

Vale ajustar a expectativa quanto ao limite: ele pode sair em R$ 250 e crescer com o uso e o pagamento em dia, até o teto de R$ 10.000 informado para o produto.

RequisitoDetalhe
Idade mínima18 anos
Renda mínima (correntista)R$ 500 por mês, comprovada
Renda mínima (não correntista)R$ 1.045 por mês, comprovada
CPFRegular; sem restrições graves recomendado (referência de score em torno de 400)
ResidênciaResidente no Brasil
Canal de solicitaçãoSite ou aplicativo do Santander
Análise de créditoObrigatória; define aprovação e limite
Limite concedidoDe R$ 250 a R$ 10.000, conforme o perfil

Pontos fortes e fracos

O que ele faz bem. A isenção da anuidade por chaves Pix é a característica mais valiosa do cartão e a menos divulgada: você não precisa gastar nada, só manter CPF e celular cadastrados no Santander. A barreira de entrada é genuinamente baixa para um banco tradicional — R$ 500 de renda comprovada é menos do que a maioria dos grandes bancos aceita. O pacote digital está completo (cartão virtual, aproximação, as três carteiras) e o Pix no crédito, lançado em setembro de 2025, coloca o produto em dia com as fintechs. E há o valor pouco glamouroso de ter um banco grande atrás: agência, canal de atendimento e portabilidade de relacionamento para produtos maiores no futuro.

O que ele faz mal. O primeiro problema é de identidade: um cartão anunciado como Gold que não acumula pontos desde novembro de 2025, não dá cashback em fatura, não tem sala VIP e não tem seguro viagem. Sobram os seguros básicos da bandeira. O segundo é de transparência — não saber a taxa do rotativo, do parcelamento nem o CET antes de assinar é o defeito mais grave deste produto para quem compara cartões com critério. O terceiro é de coerência: exigir R$ 100 por fatura de quem recebeu R$ 250 de limite. E o quarto é uma armadilha comum: parcelar a fatura em até 24 vezes parece alívio, mas alonga uma dívida cara por dois anos com juros que você só descobre na simulação. Some a isso a tarifa de R$ 21,90 por saque, que só faz sentido nunca ser usada.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Ana, 22 anos, correntista do Santander, R$ 1.400 de renda, primeiro cartão. Vale a pena. Ela cadastra CPF e celular como chaves Pix, trava a isenção da anuidade sem depender de gasto mínimo, usa o cartão no celular pelo Google Pay e paga a fatura integral todo mês. O limite baixo, que incomodaria outro perfil, aqui funciona como freio. Ana constrói histórico de crédito com custo zero e depois migra para um cartão melhor.

Marcos, 34 anos, viaja três vezes por ano e quer milhas. Não vale. O cartão parou de pontuar no Esfera em novembro de 2025, não dá acesso a sala VIP e não traz seguro viagem nesta versão Mastercard. Marcos ficaria com um plástico que cobra até R$ 399 de anuidade quando a isenção falha e não devolve nada em troca de viagem. O perfil dele pede outro produto.

Juliana, 41 anos, não é cliente do Santander, R$ 3.000 de renda, quer cashback e taxas claras. Não vale. Ela precisaria comprovar renda de R$ 1.045 como não correntista para entrar num cartão que não tem cashback direto em fatura e cujas taxas de rotativo e parcelamento ela só conhecerá depois de contratar. Com essa renda, ela tem opções mais generosas no mercado.

Uma quarta ressalva vale para todos os perfis: quem costuma pagar o mínimo da fatura não deve pedir este cartão — nem qualquer outro — sem antes conhecer a taxa do rotativo. Aqui, esse número não está publicado, e entrar no crédito rotativo às cegas é a forma mais rápida de transformar um cartão sem anuidade num produto caríssimo.

Como pedir

A solicitação é 100% online, na página oficial do produto: santander.com.br/pedir-cartao-credito/lead/sx. Também dá para pedir pelo aplicativo do Santander, o que costuma ser mais rápido para quem já é correntista, já que os dados cadastrais estão preenchidos.

Antes de começar, separe CPF, documento de identidade com foto, comprovante de renda e comprovante de residência. O formulário pede dados pessoais e profissionais e envia o pedido para a análise de crédito. Se aprovado, o limite inicial pode vir em R$ 250 — não estranhe, ele evolui com uso e pagamento em dia.

Assim que o cartão for aprovado, faça três coisas na mesma semana. Primeiro, cadastre CPF e celular como chaves Pix no Santander: é isso que garante a isenção da anuidade sem depender de gastar R$ 100 por fatura. Segundo, gere o cartão virtual e adicione o cartão ao Apple Pay, Google Pay ou Samsung Pay, para usar antes de o plástico chegar. Terceiro — e este é o passo que quase ninguém dá — peça por escrito a taxa de juros do rotativo, a taxa do parcelamento da fatura e o CET. Eles constam do contrato e da fatura, e você tem direito a conhecê-los. Por fim, recuse ofertas de parcelamento automático da fatura e desligue qualquer contratação automática de crédito no aplicativo.

Conclusão editorial

O Santander SX Mastercard é um cartão honesto naquilo que se propõe hoje: abrir a porta do crédito num banco tradicional para quem tem renda baixa, com anuidade que dá para zerar de forma simples. A isenção por chaves Pix é o melhor detalhe do produto, e o Pix no crédito com parcelamento mostra que o Santander não deixou o cartão parado no tempo. Para um primeiro cartão de correntista, ele resolve.

Mas um comparador precisa dizer o resto. Este é um cartão de categoria Gold que perdeu o programa de pontos em novembro de 2025 e não colocou nada no lugar: sem cashback em fatura, sem sala VIP, sem seguro viagem. E, principalmente, é um cartão cujas taxas de rotativo, de parcelamento e cujo CET não são publicados por produto — o cliente só descobre quanto custa a dívida depois de já estar dentro dela. Enquanto você pagar a fatura integral e mantiver a isenção ativa, o SX custa zero e cumpre o papel. No dia em que precisar do crédito rotativo, você estará negociando sem saber o preço.

Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.